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Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
311,00 301,00 300,00
GO MT RJ
296,00 302,00 291,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 2850,00
Garrote 18m 3190,00
Boi Magro 30m 3920,00
Bezerra 12m 2420,00
Novilha 18m 2900,00
Vaca Boiadeira 3130,00

Atualizado em: 16/6/2021 10:02

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
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Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Roubo de gado atrai crime organizado

 
 
 
Publicado em 28/04/2021

O furto e o roubo de animais são problemas antigos e já conhecidos de quem mora no campo. Feito por quadrilhas especializadas, que sabem identificar animais de maior valor e até mesmo abatê-los em campo aberto, esse tipo de crime tem despertado o interesse de grandes organizações criminosas diante da crescente valorização do gado.

“Claro que os itens de valor que os ladrões gostam é ouro e essas coisas. Mas, hoje, a carne bovina está bastante valorizada em função de escassez e isso desestabiliza muito o setor, é mais sério do que se imagina”, relata Amado de Oliveira Filho, consultor técnico da Associação de Criadores do Mato Grosso, maior produtor do país.

Embora os dados gerais indiquem queda de 5% nesse tipo de crime no Estado em 2020, em algumas regiões a alta ultrapassa 50%, chegando a 67% em Nova Mutum. No total, o Mato Grosso registrou 312 casos de furto de gado e 24 de roubo no último ano - segundo o Código Penal, a pena prevista é de dois a cinco anos de prisão e multa.

O mais comum, conforme explica o delegado regional da Polícia Civil de Barra do Garças, no Centro-Oeste do Estado, Wilyney Santana Borges, é o furto dos animais, muitas vezes abatidos no próprio campo e transportados em carros de passeio.

“Não é mais como antigamente, que eles iam com uma caminhonete, matavam o animal e tiravam o couro no local para levar só a carne. Hoje, eles cortam o gado em quatro partes e só deixam a cabeça pra trás. Se você não prestar atenção no molejo, nunca vai pensar que tem um boi de 20 arrobas em um Gol 1.0”, relata o policial.

Borges ainda destaca que, com a valorização dos animais, também tem crescido a violência empregada nesses crimes, despertando interesse do crime organizado. “Além do contexto econômico, há uma maior facilidade para o cometimento desse crime quando comparado a roubar um banco, por exemplo”, observa.

No caso mais recente, na cidade de Vila Rica, os bandidos chegaram em cinco caminhões boiadeiros e levaram 142 cabeças de gado avaliadas em mais de R$ 1 milhão. “Eles chegaram de madrugada na fazenda, abordaram os funcionários, prenderam eles num quarto e, como sabiam onde estava o gado, embarcaram o caminhão e saíram pelas entradas vicinais de terra”, relata a vítima, que prefere não se identificar.

Nesse caso, o rebanho foi recuperado. Com helicóptero próprio, o pecuarista seguiu o comboio que levava os animais e repassou as informações à polícia que, em terra, perseguiu os criminosos. Contudo, nem sempre essas histórias acabam bem.

“Geralmente, o crime ocorre em propriedades onde não há pessoas residindo, o que é muito comum na região. Com isso, os criminosos chegam antes, fecham o gado no curral e, posteriormente, trazem um caminhão, que pode fazer parte da quadrilha ou não”, explica Borges.

Além do dano ao patrimônio privado, o crime de abigeato, como é chamado o furto e roubo de gado, também representa um risco à saúde pública – uma vez que esses animais são revendidos para açougues clandestinos e até mesmo churrascarias sem qualquer tipo de inspeção sanitária ou controle de procedência.

“Pode ser um animal doente que estava na propriedade, e o transporte é feito sem refrigeração, em condições insalubres. Ou seja, essa carne não é apta à saúde humana”, explica Borges ao destacar a dificuldade para repassar a carne de animais roubados a frigoríficos regulares, cadastrados nos sistemas de inspeção municipal, estadual ou federal.

“Geralmente esse gado vai para fazendas de recria e engorda. É muito difícil que frigoríficos sérios aceitem receptar esse gado, por isso não vai para abate direto. Quando acaba sendo levado para frigoríficos de São Paulo ou Goiás, o que é mais difícil, tem que esquentar nota, falsificar guia de trânsito animal. Então, geralmente essas quadrilhas colocam esses animais em outras propriedades para recria e engorda”, aponta o delegado.

Diante desse contexto, Borges alerta para o papel do consumidor no combate a esse tipo de crime. “Só existe o furto e roubo porque tem o receptador, que é o açougueiro e as churrascarias. E eles só compram essa carne porque o consumidor só olha o preço e não se preocupa com a origem daquele produto. Por isso, o consumidor tem que desconfiar quando vê um produto pela metade do preço num lugar, senão acaba fomentando esse crime." Com informações do Globo Rural.

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