Cotações Mapas Notícias em seu e-mail
Precisa vender? Mais de 6.000 visitantes diariamente esperam pelo seu produto aqui no Pecuaria.com.br. Clique aqui e veja como e facil anunciar!
Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
200,00 185,00 194,00
GO MT RJ
189,00 187,00 181,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 1830,00
Garrote 18m 2170,00
Boi Magro 30m 2690,00
Bezerra 12m 1370,00
Novilha 18m 1620,00
Vaca Boiadeira 1850,00

Atualizado em: 28/2/2020 09:55

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
Clique aqui e veja cotações anteriores

 

 

 

 


 
Receba, diariamente, em seu
e-mail nosso boletim com os assuntos que mais interessam
ao profissional do setor.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.


Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

ARTIGO - Não há filé grátis

 
 
 
Publicado em 06/04/2011

Antônio José Maristrello Porto e Rafaela Nogueira
Publicado em O Estado de S.Paulo - 06/04/2011

Recentemente foi anunciado que o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro decidiu abrir inquérito civil público para investigar a relação da BNDES Participações S. A. (BNDESPar), braço de atuação no mercado acionário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com o Grupo JBS-Friboi. O procurador da República que tomou a decisão de abrir o processo, no entanto, não forneceu maiores detalhes acerca do inquérito. O BNDES, por sua vez, informou que todas as suas operações são feitas com transparência. Esse fato suscita a importância do debate sobre o procedimento decisório que orienta o BNDES.

Vejamos, por exemplo, a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), implementada pelo BNDES após a crise de 2008. A PDP visava a "conferir maior potência à Política Industrial, por meio da ampliação da sua abrangência, do aprofundamento das ações já iniciadas e da consolidação da capacidade de desenhar, implementar e avaliar políticas públicas", e teve como um de seus focos o setor de carnes. Um possível problema causado pela PDP seria um desarranjo no mercado de carnes no Brasil, uma vez que os frigoríficos que obtiveram financiamento do BNDES, além de se tornarem maiores, também compraram frigoríficos menores. O resultado dessas aquisições pode ter sido um setor menos competitivo, gerando uma piora tanto para os produtores quanto para consumidores de carne, dado que os frigoríficos atuam como intermediários nesse segmento, comprando o boi do fornecedor e revendendo a carne para o consumidor final.

A pergunta que surge é: será que esse aumento da concentração de mercado causou algum mal ao mercado de carne brasileiro? Recente estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Direito e Economia (CPDE) da FGV Direito Rio objetivou mensurar o impacto dos empréstimos concedidos pelo BNDES aos frigoríficos sobre os preços percebidos pelos consumidores e produtores de carne no Brasil, separando os efeitos, concomitantes, da crise financeira de 2008. O estudo apontou indícios de que os empréstimos fornecidos pelo BNDES possibilitaram a ampliação dos lucros dos frigoríficos à custa dos consumidores e dos produtores de carne brasileiros. Ao analisar uma base de dados fornecida pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), composta pelo Índice de Preços ao Consumidor e pelo Índice de Preços Recebidos pelo Produtor de alguns produtos, o estudo sugere que, relativamente a outros setores, que também sentiram o impacto da crise financeira de 2008, o de carnes apresentou simultaneamente aumento de preço para o consumidor final e queda do preço recebido pelo produtor.

Portanto, a única diferença importante entre os setores, pós-crise, seriam os empréstimos recebidos pelos frigoríficos. Desse modo, torna-se possível separar os dois efeitos - crise de 2008 e empréstimos do BNDES - e calcular como os empréstimos podem ter impactado os preços, tanto o recebido pelo fornecedor como o pago pelo consumidor final. O método empregado no estudo indicou um aumento da margem de lucro para os frigoríficos em detrimento do excedente do fornecedor e do consumidor de carnes. Em outras palavras, o consumidor está pagando mais, o fornecedor está ganhando menos e os frigoríficos estão ganhando dos dois lados.

Os resultados até o momento alcançados apontam para a necessidade de serem conduzidos estudos mais aprofundados sobre o setor, tendo em vista que há evidências de que as alterações no mercado de carnes acarretadas pela intervenção do BNDES levaram a consequências não necessariamente desejadas pela sociedade brasileira. O estudo sobre esse tema, para além de aprofundar o conhecimento a respeito do mercado de carnes, pode também lançar luz sobre o debate referente ao desenvolvimento de uma política industrial consistente com as projeções de aumento da produção brasileira para os próximos anos. O debate acerca dos contornos de uma política industrial bem-sucedida envolve a explicitação de quais são os agentes econômicos beneficiados e, também, a identificação da redistribuição dos custos para quais agentes econômicos. É um exercício de ponderação que deve ser racionalmente compreendido e democraticamente debatido.

A discussão sobre quem deve ser o escolhido para receber os incentivos de uma política industrial deveria passar por critérios claros e transparentes e maior controle democrático do processo de tomada de decisão no âmbito das estratégias de políticas industriais. Dessa forma, a discussão deixa de ser se queremos ou não alguma política industrial, mas, sim, como devemos realizá-la. Qualquer forma de política industrial deve ser dirigida a ganhos da sociedade.

Podemos aproveitar o momento como uma oportunidade. Oportunidade para pensar e inventar alternativas quanto aos objetivos e às formas de fazermos política industrial. Contudo, ao mesmo tempo, devemos garantir a possibilidade de transparência e de mecanismos de controle democrático desse processo decisório. Temos uma oportunidade para inovar. Mas devemos aproveitá-la com responsabilidade.

Política industrial não é um bicho de sete cabeças. Tampouco é letal. Em vez de escolher mais ou menos política industrial, devemos compreender que ela pode ser organizada de diferentes formas, com diferentes consequências. A ideia de que os arranjos institucionais atuais são os únicos possíveis é uma ilusão. As formas já estabelecidas representam hoje apenas uma opção, e não necessariamente são as mais eficientes. Como já dizia o famoso economista Milton Friedman, não há filé grátis.

RESPECTIVAMENTE, PROFESSOR DA FGV DIREITO RIO E COORDENADOR DO CPDE; PROFESSORA DA FGV DIREITO RIO, PESQUISADORA DO CPDE E DOUTORANDA DA ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA (EPGE)

  Compartilhe Compartilhe esta matéria    Imprimir

 


   Leia também:
 
[27/02/2020] - Frigoríficos: entregas à China estão normais
[27/02/2020] - Minerva tem 5 unidades liberadas pelos americanos
[27/02/2020] - JBS tem 11 unidades aprovadas pelos EUA
[27/02/2020] - EUA: liberação da carne brasileira vira polêmica
[27/02/2020] - OMS: epidemia chegou a um ponto decisivo
[27/02/2020] - China espera controlar epidemia no fim de abril
[27/02/2020] - Dólar dispara por pânico com coronavírus

Regras para a publicação de comentários


   Notícias Anteriores
 
[27/02/2020] - Como o mercado do boi voltou do Carnaval?
[27/02/2020] - Pecuarista segura o boi esperando preço melhor
[27/02/2020] - Frigoríficos de SP precisam comprar boi
[27/02/2020] - IGP-M tem deflação em fevereiro
[27/02/2020] - Dólar alto puxa o preço do farelo de soja
[27/02/2020] - Caroço de algodão mais caro em 2020
[27/02/2020] - Argentina trava exportações do agronegócio
[26/02/2020] - Reabertura dos EUA pode puxar a arroba no Brasil?
[26/02/2020] - EUA oficializam reabertura do mercado ao Brasil
[26/02/2020] - EUA prevêem produção de carne maior no Brasil
[26/02/2020] - Arroba: sem espaço para queda
[26/02/2020] - Reposição: preços em alta
[26/02/2020] - Carne: demanda segue fraca e segura preço
[26/02/2020] - Dólar alto puxa preço do farelo de soja
[26/02/2020] - Coronavírus pode afetar a economia do Brasil?
[26/02/2020] - Primeiro caso de coronavírus no Brasil
[26/02/2020] - Itália vive epidemia de coronavírus
[26/02/2020] - Itália: medidas contra o coronavírus são fortes
[26/02/2020] - OMS: transmissão do vírus na China desacelerou
[26/02/2020] - Mercados agrícolas sobem em dia de queda geral
[26/02/2020] - MAPA autoriza antecipação da vacinação no RS
[26/02/2020] - Produtores rurais argentinos marcam greve
[26/02/2020] - Macron promete brigar por subsídios a agricultores
[21/02/2020] - Arroba: frigoríficos podem aumentar ofertas
[21/02/2020] - Carne: preços firmes no atacado
[21/02/2020] - Mortes pelo coronavírus passam de 2.200 na China
[21/02/2020] - China: Vírus atrasa compras de produtos agrícolas
[21/02/2020] - Produção de carne dos EUA baterá recorde
[21/02/2020] - Marfrig pode vender ações nos EUA
[21/02/2020] - Empresa da JBS lucra 84% mais
[21/02/2020] - Dólar bate os R$ 4,40, maior valor da história
[21/02/2020] - Exportações de milho caíram
[21/02/2020] - Frete caro puxa preço do milho
[20/02/2020] - Brasil pode bater outro recorde na carne bovina
[20/02/2020] - Marfrig acredita que exportações seguirão fortes
[20/02/2020] - Minerva já vê retomada do mercado chinês
[20/02/2020] - Minerva: novos mercados estão se abrindo
[20/02/2020] - China começa a retomar a vida normal
[20/02/2020] - Arroba: mercado do boi está andando de lado
[20/02/2020] - Carne não consegue ganhar embalo no varejo
[20/02/2020] - Pecuaristas do RS querem antecipar fim da vacina
[19/02/2020] - Carnaval pode puxar a demanda pelo boi
[19/02/2020] - Pecuarista segura as vendas esperando a alta
[19/02/2020] - Um estado onde o boi subiu mais de 10%
[19/02/2020] - Reposição: preços continuam subindo
[19/02/2020] - Qual o novo patamar para a arroba do boi?
[19/02/2020] - Minerva lucra com exportações à China
[19/02/2020] - JBS faz mais um investimento bilionário nos EUA
[19/02/2020] - Câmara aprova a MP do Agro
[19/02/2020] - Caminhoneiros param para pressionar o STF

     Clique aqui para ver o índice geral de noticias


 

 

 

Adicione seu site Comprar e vender Atendimento ao anunciante Mais buscados

Venda para a pecuária brasileira através da Internet!
Clique aqui e veja como anunciar no Pecuária.com.br